A Bella Samba nasceu em 2008, quando um grupo de amigos, movidos mais pela paixão do que pelos recursos, decidiu transformar um sonho em escola de samba. Do zero, construíram sua identidade: desenharam figurinos, reuniram músicos, conseguiram materiais e construíram os primeiros carros alegóricos. Tudo foi fruto do esforço coletivo e da convicção de que o carnaval de Concordia merecia um novo pulsar.
A estreia veio no ano seguinte, com “Carnaval Galáctico”, e o frescor de 182 integrantes que conquistaram o público e garantiram a ascensão imediata à categoria A. Desde então, a Bella Samba não parou de surpreender. Primeiro com propostas inovadoras como “Bichos”, onde materiais pouco convencionais fizeram brilhar cada traje, ou com a imponente viagem à Índia de “Taj Mahal, uma história de amor feita pedra”, onde esculturas e entalhes elevaram a encenação. Viriam depois os deuses e a liberdade, e com eles a primeira grande distinção: um destaque premiado que confirmava o caminho escolhido.
A verdadeira virada aconteceu em 2013, quando a escola apresentou “Lu’Um, a profecia entre o bem e o mal”. Naquela noite nasceu seu hino oficial, “Arriba Concordia”, convertido com o tempo em uma canção popular que ainda ressoa no sambódromo. Também nasceu ali o nome que marcaria para sempre seu pulso rítmico: Eterna Guerrera, sua bateria inconfundível.
A partir de então, a Bella Samba se animou a romper moldes. Deu um passo histórico ao consagrar como rainha de bateria Sofía Camará, a primeira transformista a ocupar esse lugar em Concordia, reafirmando sua marca diversa e corajosa. Rendeu homenagens memoráveis como “O Pequeno Príncipe de volta para casa”, celebrou o bicentenário da independência argentina, brincou com seu lado irreverente em “Vanidosa Bella Samba”, e se atreveu a celebrar sua primeira década com um canto ao número 10 e às crenças que o rodeiam.
O crescimento artístico foi coroado com vice-campeonatos inesquecíveis. Primeiro com “Samba de Raiz”, que percorreu a história do samba, e depois com “Caá, a boa planta”, inspirado na lenda da erva-mate, que além disso marcou um marco ao dar à Bella Samba suas primeiras figuras premiadas como Porta-Bandeira e Mestre-Sala.
Nem mesmo a pausa imposta pela pandemia conseguiu apagar seu fogo. Em 2022, retornou com “A história que nunca contaram”, reivindicando os povos originários frente à mal chamada conquista da América, e conquistou pela primeira vez a coroa de Rainha do Carnaval.
Depois vieram os festejos pelos seus 15 anos, com “Crônicas de um Bom Coração” homenageando San Antonio de Padua de la Concordia, obtendo a conquista de seu primeiro Passista Masculino do Carnaval; no ano seguinte, o brilho de “De alegre e de louco, Bella Samba tem um pouco”, dedicado às figuras históricas que, apesar de serem chamadas de loucas, mudaram o rumo do mundo, coroou Sofía Camará como Rainha do Carnaval; Em 2025, explorou os mistérios e crenças em torno do número 7 com “O 7 é a vida e eu não sabia”.
Hoje, com mais de 15 anos de trajetória, a Bella Samba é sinônimo de paixão, identidade e diversidade. Seu hino, sua bateria Eterna Guerrera, suas rainhas, passistas e figuras premiadas, sua arte inovadora e seu povo que canta e dança a cada verão, fizeram dela um ícone popular.
A Bella Samba não é apenas uma escola de samba: é um sonho coletivo que nunca parou de crescer, com a mesma força daqueles amigos que em 2008 acenderam a primeira faísca.