Sua história
Império: História de um sonho que se tornou carnaval.
Império significa poder. Mas não um poder de coroas rígidas nem de tronos distantes: é um poder que nasce do coletivo, da paixão que arde em cada peito imperial, da coragem de transformar os tropeços em força e as adversidades em festa. É um poder que se sustenta na alegria compartilhada, no compromisso com a nossa cultura e na certeza de que o carnaval não é apenas espetáculo, mas também identidade, memória e comunidade.
A história da escola de samba começou em 2004, quando dois amigos imaginaram algo novo. Queriam uma escola que não fosse apenas brilho e penas, mas também mensagem, reflexão e pertencimento. Escolheram chamá-la de Império, pintá-la de azul, vermelho e amarelo, e dar-lhe vida com uma estreia inesquecível. E porque todo sonho precisa de um rosto que o represente, a primeira coroa de rainha foi para Julieta Fernández, que com elegância e carisma inaugurou um reinado que marcaria a história. Ela foi o primeiro emblema humano do que Império significa: alegria, presença e orgulho.
Desde esse instante, Império começou a escrever a sua própria lenda. Cada ano tornou-se um capítulo, cada desfile uma viagem, cada tema uma declaração. Não foi uma escola que se repetisse, mas uma escola que se reinventou constantemente, levando ao sambódromo histórias que nem sempre tinham tido espaço na festa, e dando-lhes forma de música, penas e batuques.
Houve anos de raízes e outros de sonhos. O público viajou aos Impérios pré-colombianos, descobrindo que a história podia ser festa. Voltou a surpreender com o carnaval brasileiro que nos contagiou com samba e ritmo infinito. Depois chegaram os mitos e lendas da Argentina, quando a Salamanca, os duendes e os seres mágicos pareceram sair do monte e dançar sob as luzes de Concordia.
Depois, a África trouxe o seu grito de liberdade, com tambores que não apenas soavam: gritavam memória e resistência. O Japão desdobrou dragões, templos e mistério. Os ritmos tropicais de Tropicana e Tropicalia colocaram calor em cada compasso, enquanto Joselito nos levou à Colômbia com o seu despojamento, e o Carnaval de Oruro nos conectou com o mais ancestral da Bolívia.
Em uma dessas noites, a avenida tingiu-se de pós coloridos no Holi hindu, e a cidade viveu o carnaval como uma primavera eterna. Outro ano, o povo vibrou com a força de Zumbi, um grito contra a opressão que se tornou canto de esperança. Mais tarde, o Libertango imperial nos abraçou com a cadência do 2x4, lembrando-nos que o tango também é liberdade.
E em 2024, escolheu falar à história de frente com “Salve mulher argentina”. Nessa noite, o Atanasio Bonfiglio tornou-se altar e homenagem a todas as mulheres que fizeram grande o nosso país. Desde as heroínas anônimas até as Mães e Avós da Praça de Maio, que, emocionadas, responderam com uma carta pública que ainda ressoa na memória. Esse gesto foi prova de que Império tinha conseguido algo único: transformar o carnaval em consciência e a alegria em memória viva.
Não faltaram tampouco as guitarras nem os gritos de rebeldia: o Say no More trouxe o espírito do rock nacional ao sambódromo, e Concordia dançou ao ritmo de Charly como nunca antes. E com a preparação da edição 2026, “O legado Maneco”, demonstra que a memória não é passado: é raiz, é continuidade, é futuro.
Cada uma dessas temáticas foi mais que um show. Foram viagens culturais, homenagens, pontes entre a festa e a história. Com elas, Império deixou claro que o carnaval pode ser entretenimento, mas também é escola, mensagem e refúgio.
E como todo sonho precisa de um emblema, despertou o escudo que abraçaria a nossa história. Não foi um desenho qualquer, mas um símbolo com alma própria. Uma espada branca que se transforma em penas, como dizendo que a luta também se dá com arte. Uma coroa de pontas suaves, símbolo de orgulho e pertencimento, que mais que impor, convida. Máscaras teatrais que choram e riem ao mesmo tempo, porque o carnaval tem de ambos: drama e alegria, desabafo e riso. E o nome escrito em letras antigas, como saído de um livro fundacional, deu ao Império um ar de lenda que atravessa gerações. Esse escudo não é apenas marca: é estandarte, é juramento, é raiz.
Mas Império nunca se limitou ao sambódromo. Desde os seus primeiros passos, tornou-se também associação civil, social e cultural, chegando aos bairros, abrindo espaços de acolhimento, oferecendo oficinas de dança, música e arte. Ali, onde a escola deixa de ser espetáculo para se tornar família, Império mostra a sua maior grandeza. Porque não se trata apenas de competir: trata-se de compartilhar, de ensinar, de abraçar com a mesma paixão com a qual se dança.
Os reconhecimentos não tardaram em se fazer presentes: cinco campeonatos, nove copas como melhor bateria, dezenas de figuras individuais. Mas a verdadeira glória está em cada criança que encontrou no Império um lugar para crescer, em cada jovem que aprendeu que a arte pode mudar vidas, em cada família que transformou os ensaios em ritual de união.
Hoje, depois de mais de duas décadas, Império continua sendo o que foi desde o primeiro dia: um sonho feito carnaval. Uma escola que canta com a história, que dança com a cultura e que recorda com alegria. É Concordia pulsando em cada batuque, em cada pena e em cada sorriso.
Porque o carnaval pode ser de todos, mas a paixão… a paixão sempre será imperial.
Momentos do Carnaval
Todas as fotos desta edição do Carnaval.
Assim se vive o Carnaval
Um resumo em vídeo das noites no corsódromo.
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